sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Troque seu lixo por pontos em suas compras no supermercado

cartão de pontos da rede de supermercados AEON

A rede de supermercados japoneses AEON, lançou recentemente no país, mais uma iniciativa em favor da sustentabilidade.

Nos supermercados maiores, foram instalados estações de recolhimento de garrafas Pet, papelão, papéis e embalagens.

Maquina de reciclagem de garrafas PET

O processo de recolhimento dos materiais incentiva os usuários há destinar corretamente esses materiais. De posse de um cartão da rede que concede pontos a cada compra, o cliente passa o cartão na maquina de reciclagem e por exemplo, a cada 3 garrafas PET de 1,5 ganha-se 1 ponto que são adicionados aos pontos acumulados nas compras. Cada ponto equivale a 1 iene, que podem ser utilizados nas compras. Exemplo, o cliente tem acumulado 1.000 ienes entre compras e materiais depositados nas maquinas de reciclagem, e ao fazer uma compra em que o valor seja aproximado aos pontos acumulados, ele não precisará utilizar o dinheiro, somente com os pontos que ele acumulou.

posto para recolher materiais para reciclagem, jornais e papelão

A iniciativa vem animando os usuários, pois em tempos de economia, qualquer desconto é bem vindo.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Parabéns Mogi das Cruzes, 455 anos


Mogi das Cruzes está completando 455 anos, e é uma das cidades mais antigas do Brasil.
Até bem pouco tempo, a cidade conservava os ares de cidade interiorana e preservava seu patrimônio histórico, conservando alguns dos prédios que mantinham sua arquitetura originalmente da época colonial. Mas com o crescimento desordenado, vários empreendimentos imobiliários foram construídos, o aumento populacional foi se acelerando rapidamente, fazendo com que o centro da cidade não mais comportasse o grande fluxo de veículos e pessoas. A solução foi fazer algumas intervenções, como alargamento de algumas ruas, e consequentemente, ocasionando a desapropriação de alguns imóveis entre eles, alguns representativos na história da cidade. Infelizmente é o preço da modernidade, conseguimos até um determinado momento, conviver entre o histórico e o moderno, mas chega uma hora em que não da mais para se manter os dois espaços juntos.

Finalmente deram inicio às obras de construção da passagem subterrânea em frente à estação da CPTM. A obra, um sonho antigo de toda população, vai permitir que a passagem de nível seja desativada, acabando com os intermináveis congestionamentos nos horários de pico.

Mas toda ação tem uma conseqüência: e já percebemos o que está acontecendo. Nesse inicio das obras, muitos motoristas ainda não se readequaram a nova situação, fazendo com que o trânsito que já era difícil, tornando-se ainda pior. A situação ainda vai perdurar por muito tempo, uma obra vultosa dessas, demanda muito tempo, então temos que nos preparar e procurar outras alternativas, buscando vias alternativas, evitando o uso do carro nas áreas centrais, deixando o carro estacionado um pouco mais longe da área central. Senão forem tomadas essas atitudes, o stress será inevitável.

Apesar desses grandes investimentos, ainda há muito a ser feito, principalmente nos bairros mais afastados, onde a falta de infraestrutura é latente. Só para citar exemplos, bairros como Jundiapeba e Botujuru ainda convivem com ruas sem pavimentação, sem rede de esgoto, alto índice de criminalidade, transporte público ineficiente que não consegue atender a demanda nos horários de pico, pois é justamente nesses locais onde há precariedade nos serviços públicos, é onde a população de baixa renda se concentra.

Rua do Bairro de Jundiapeba
Aqui em Mogi como em qualquer outra cidade brasileira, a desigualdade social é muito grande. Minha esperança é que a próxima administração volte os olhos para essa desigualdade, buscando uma atuação bem mais efetiva na periferia, proporcionando condições dignas de moradia e serviços públicos eficientes, para que daqui a alguns anos, estejamos aqui comemorando mais um aniversário de Mogi das Cruzes, com muito entusiasmo, com as obras de modernização do centro finalmente concluídas, e que a população esteja plenamente satisfeita e animadora em busca do progresso da cidade.

O que fazer com as casas abandonadas no Japão


Desde que seu vizinho se mudou, há dez anos, Yoriko Haneda fez todo o possível para que a casa que estava vazia não se tornasse uma ofensa para os olhos. Haneda poda regularmente os arbustos, para que eles não interfiram na vista para o mar. Entretanto, não continuou seu trabalho de jardineira na casa seguinte, que também está desocupada e coberta de bambus.

No bairro de colinas a uma hora de Tóquio, as casas abandonadas são contadas em dezenas.

— Há casas vazias por todas as partes, lugares onde não vive ninguém há vinte anos, e a cada vez elas aumentam mais — diz Haneda, aos 77 anos, que logo se queixa dos ladrões que entraram duas vezes na casa vazia de seu vizinho e do tufão que causou danos ao telhado da outra casa.

Embora a aversão ao desperdício esteja enraizada na idiossincrasia japonesa, as casas abandonadas se espalham por todo o Japão. O índice de imóveis residenciais desocupados a longo prazo aumentou significativamente, acima dos valores dos Estados Unidos e da Europa, e a ilha tem atualmente cerca de oito milhões de casas vazias, segundo dados do governo. Quase metade delas foram abandonadas e completamente esquecidas. Nem sequer estão à venda ou para alugar. Simplesmente estão aí, com seus variados graus de deterioração.

Essas casas fantasma são o sinal mais visível do retrocesso populacional em um país cujo número de habitantes alcançou seu recorde há cinco anos e que, segundo as previsões, se reduzirá em dois terços durante os próximos cinquenta anos. A pressão demográfica tem sido um peso para a economia, já que uma população economicamente ativa cada vez menor deve financiar o crescente número de idosos. Além disso, tem gerado um intenso debate sobre propostas para fomentar a imigração ou para incentivar as mulheres a terem mais filhos.

Por enquanto, depois de décadas de luta contra a superpopulação, o Japão enfrenta o problema inverso: quando uma sociedade encolhe, as autoridades se questionam sobre o que se deve fazer com as edificações que já não são mais necessárias.

Muitas das casas desocupadas no Japão foram herdadas por pessoas que não precisam delas, mas que tampouco podem vendê-las por falta de compradores interessados. No entanto, demoli-las levanta questões complicadas sobre os direitos de propriedade e sobre quem deveria pagar essa despesa. Neste ano, o governo aprovou uma lei de impulso à demolição da maioria das casas em estado avançado de abandono. Mas, segundo os especialistas, a onda de novas casas vazias seria difícil de parar.

— Tóquio poderia terminar rodeada de muitas Detroit — diz Tomohiko Makino, especialista imobiliário que estudou o fenômeno das casas vazias.

Este fenômeno, que se limitava a localidades remotas, hoje alcança as cidades regionais e os subúrbios das grandes metrópoles. Mesmo na movimentada capital, a porcentagem de residências desocupadas está aumentando.

A cidade de Yokosuka está em linha de fogo. Com Tóquio à disposição para o trabalho e cercada de bases navais e de fábricas de automóveis, a cidade sabia atrair milhares de jovens em busca de trabalho na época do pujante crescimento econômico do pós-guerra. Nesta época, a terra era escassa e cara e, assim, os recém-chegados construíram casas pequenas e simples.

No entanto, esse surto se inverte inexoravelmente. Os jovens trabalhadores do pós-guerra são agora aposentados, e muito pouca gente, nem sequer seus filhos, querem ocupar estas casas.

— Os filhos desta geração agora vivem nas torres do centro de Tóquio. Para eles, a casa da família é um peso e não uma propriedade — diz Makino.

A taxa de nascimento do Japão está desde a década de 1970 abaixo do número necessário para manter a estabilidade demográfica, porque os jovens se casam cada vez mais tarde e as mulheres, ao ingressarem no mercado de trabalho, adiam a maternidade.

A cidade de Yokosuka está tentando reverter isso, incentivando os proprietários das casas abandonadas a limpá-las e a colocá-las no mercado em um "banco de casas vazias" online, onde podem mostrar propriedades de que as imobiliárias nem sem aproximam.

Os raros interessados pagariam uma verdadeira pechincha, mas até agora só uma residência foi vendida: uma casa de madeira de apenas um andar, sessenta anos de idade e um pequeno jardim, que estava avaliada em U$ 5,4 mil.

E há terrenos mais elevados, na subida das encostas, que podem ser comprados por algumas centenas de dólares. Quatro casas foram alugadas, uma delas a estudantes de enfermaria que conseguiram um desconto para, em troca, cuidar da saúde dos idosos da região.

Outras cidades testaram suas próprias soluções criativas, como oferecer reembolso efetivo aos outsiders que decidirem comprar e se mudar para uma casa. Algumas cidades conseguiram seduzir grupos de artistas e trabalhadores independentes que podem se manter conectados com clientes na cidade através da internet.

Existe até mesmo um projeto artístico próspero, o Echigo-Tsumari Art Field, que converte edificações desocupadas de uma série de pontos do nordeste em obras de arte. Os visitantes podem passar a noite em uma "casa de sonho", desenhada pela artista Marina Abramovic, que tem camas em formato de caixões e luzes coloridas para estimular os sonhos, ou recorrer a outros edifícios que foram esculpidos, pintados ou preenchidos com esculturas.

— Talvez não sejam utilizadas com seu propósito original, mas é importante que se conservem fisicamente. O importante é preservá-las para algo positivo — diz o fundador do projeto, Fram Kitagawa.

Entretanto, os números brutos sugerem que a quantidade de casas que podem ser recuperadas para habitação é limitada. Espera-se que a população atual de 127 milhões de pessoas do Japão se contrairá em um milhão por ano durante as próximas décadas. Os esforços para aumentar a baixíssima taxa de natalidade do país têm sido mal sucedidos e a população não parece disposta a se abrir à imigração em massa.

— Temos infraestrutura demais — diz Takashi Onishi, professor de planificação urbana e presidente do Conselho de Ciências do Japão.

O governo, segundo Onishi, acabará cortando os serviços públicos, como a água e a manutenção de estradas e pontes das zonas menos habitadas:

— Não podemos manter tudo isto. Temos que tomar decisões duras.

A solução mais direta para as casas abandonadas é demoli-las antes que elas se convertam em um perigo ou que estes bairros ganhem fama de inabitáveis. No entanto, muitas vezes é difícil rastrear seus proprietários, que não querem arcar com os custos da demolição.

Hidetaka Yoneyama, especialista do Instituto de Investigações Fujitsu, disse que até pouco tempo atrás as casas do Japão eram construídas para durar apenas cerca de trinta anos, mas logo eram demolidas e reconstruídas. A qualidade das construções está melhorando, mas o mercado de imóveis usados continua pequeno. As construtoras continuam produzindo mais de 800 mil casas e condomínios ao ano, apesar da abundância de casas vazias.

— Na era do boom econômico, isso era conveniente para todos — diz Yoneyama. Mas dentro de vinte anos, segundo alguns cálculos, mais de um quarto de todas as casas do Japão estarão vazias. — A coisa se inverteu. A população encolhe e ninguém quer viver nestas casas antigas.



sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Japão Barateia Presentes a Seus Centenários para Economizar Custo

Yasutaro Koide, de 112 anos, foi reconhecido o homem mais velho do mundo

Os cidadãos japoneses com mais de 100 anos deixarão de receber a tradicional taça de prata que o governo costuma entregar a todos seus cidadãos que completam 100 anos porque seu aumento progressivo está afetando os cofres públicos.
O Executivo japonês, que começou esta prática em 1963, decidiu buscar uma alternativa mais barata ao presente comemorativo avaliado em 7.600 ienes (cerca de R$ 230), informou nesta quinta-feira (27) a emissora pública japonesa "NHK".
No ano que se pôs em prática a iniciativa, o Japão contava com 150 centenários entre seus cidadãos, mas na atualidade o número se multiplicou por mais de 200.
Segundo dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-estar, neste ano 32.400 pessoas receberão a singular taça, o que representará um custo estimado de 260 milhões de ienes (R$ 7,85 milhões).
Taça de prata entregue aos japoneses que completam 100 anos
O governo japonês substituirá a partir do ano que vem essa taça por outra feita com lâminas de prata, uma mudança com a qual prevê cortar a despesa pela metade.
O Japão tem a maior expectativa de vida do planeta. Os centenários registrados no país asiático chegam a 58.820, o que representa 46,21 por cada 100.000 habitantes, segundo dados governamentais de setembro de 2014.
O envelhecimento da sociedade japonesa representa, entre outros aspectos, um grande desafio para o sustento atual do sistema de saúde e de previdência da terceira economia do mundo.

Fonte:Época

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Japão lança aplicativo que permite acesso à Wi-Fi gratuito para turistas


O que seria dos smartphones sem os aplicativos? Ferramenta indispensável, seja na vida social, trabalho ou lazer. E para quem viaja pelo mundo, um dos maiores pesadelos é sem dúvida, ficar desconectado.
Mas esse tormento está prestes a acabar, pelo menos no Japão! Um aplicativo gratuito, lançado recentemente no país, vai facilitar a vida dos turistas.
Japan Connect-Free Wi-Fi foi lançado para promover a experiência de utilizar internet gratuita e de qualidade enquanto se faz compras em lojas de conveniência no país. Com alcance de 40 mil espaços, incluindo marcas como Family Mart, Lawson e 7-Eleven.
O aplicativo também permite ao usuário o acesso ao wi-fi gratuito em mais de 130 mil pontos do Japão incluindo os aeroportos de Narita e Kansai, estações de metrô e em diversos pontos.
Pelo Mundo
De acordo com um levantamento divulgado pela Flurry, – uma empresa de análise de aplicativos do Yahoo! – de 2014 para 2015, o número de dispositivos inteligentes cresceu de 1,3 bilhão para 1,8 bilhão, o que representa um aumento de 38% de um ano para o outro.
O número de usuários que utilizam aplicativos entre uma vez e 16 vezes por dia, cresceu de 784 milhões para 985 milhões no mesmo período, um aumento de 25%. Já o número de usuários muito ativos, que usam aplicativos entre 16 e 60 vezes por dia, cresceu ainda mais: de 440 milhões para 590 milhões (aumento de 34%).
Clique aqui para conhecer e baixar o aplicativo.
Fontes: OGlobo / Panrotas

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Conheça o primeiro aeroporto que funciona somente com energia solar

Aeroporto de Cochin na Índia
O aeroporto internacional de Cochin, no sul da Índia, se tornou nesta semana no primeiro do mundo que funciona completamente com energia solar, graças a um sistema de dezenas de milhares de painéis que nutrem a instalação e lhe dão completa autonomia energética.
Caminhar sob o sol entre os vários painéis perfeitamente alinhados na esplanada que termina na cerca exterior do aeroporto de Cochin é como passear por um vinhedo de placas escuras entre as quais se sobressaem as cabeças dos trabalhadores.
São 48.154 painéis fotovoltaicos sobre uma superfície de 20 hectares de terras que não tinham nenhum uso até que em fevereiro a empresa alemã Bosch começou uma instalação que hoje gera 12 megawatts diários de energia, mais do que suficiente para que o aeroporto do estado sulista de Kerala seja auto-suficiente.

"Havia um espaço disponível, que previamente foi pensado para a futura expansão do terminal de carga, mas que achamos que podia ser usada para construir uma usina de painéis solares", afirmou à Agência Efe o diretor-geral do aeroporto de Cochin, José Thomas.
A usina prevê gerar 18 milhões de unidades de energia solar ao ano, o equivalente para abastecer de eletricidade 10 mil casas ao mesmo tempo.
Em uma das estações de controle do sistema, trabalhadores e engenheiros trocam opiniões sobre os dados divulgados após os primeiros dias de funcionamento.
A tela que aponta todos os dados em tempo real mostra como os medidores caem quando uma nuvem passa sobre o lugar e voltam a disparar quando o sol se projeta sobre o manto cristalino de cor negro.
Não há perigo de não acumular suficiente energia; com o funcionamento da nova usina de energia solar, a terceira e maior do complexo, que já contava com outras duas menores previamente, calcula-se que conseguirá de 50 mil a 60 mil unidades de eletricidade ao dia, quando as necessidades do aeroporto rondam 48 mil.
"Com as três usinas solares em conjunto geramos um excedente diário de energia que poderíamos vender", confirmou Thomas.
A ideia de que o quarto aeroporto em tráfego internacional da Índia fosse auto-suficiente começou a ser pensada em março de 2013 com vários projetos que se desenvolveram em paralelo ao aumento do trânsito de aviões.
"Nossas previsões eram boas com as duas primeiras usinas solares e pensamos: por que não fazer um aeroporto capacitado para gerar sua própria provisão de eletricidade?", relatou à Efe o diretor-fundador da instalação aeroportuária, V. J. Kurian.
O projeto desta grande usina de energia solar, com um custo próximo de US$ 10 milhões, foi apresentado através de uma licitação na qual 18 empresas internacionais concorreram pelo contrato, que finalmente foi conquistado pela alemã Bosch.
painéis fotovoltaicos que alimentam o aeroporto
Um investimento que, no entanto será mais do que rentável, segundo o diretor do aeroporto de Cochin.
Com o que economizamos com a implantação dos painéis, em cinco anos, segundo os cálculos, "teremos pago o custo da construção com o que deixamos de gastar", sentenciou Thomas.
Através de sua filial na Índia, a Bosch construiu a instalação em quatro meses, transformando o aeroporto internacional de Cochin no primeiro "aeroporto verde do mundo".
"Tudo está como prevíamos, inclusive melhor do que nos teste prévios, e esperamos que no futuro siga melhorando", afirmou à Efe o diretor do departamento de Energia Solar de Bosch, Pradeepa K. S.
Dado o primeiro passo, o aeroporto já pensa em ir além de gerar sua própria eletricidade e pretende reciclar a água.

"Estamos muito contentes com o que conseguimos com a usina de painéis solares, mas seguimos realizando estudos focados no novo terminal internacional para seguir sendo um aeroporto verde", concluiu V. J. Kurian, agora secretário-chefe auxiliar do governo. 
Fonte: Exame Meio Ambiente e Energia

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Em museu no Japão, cartas de despedida de kamikazes são reveladas

cartas escritas pelos pilotos kamikazes

Durante a Segunda Guerra Mundial, uma das “armas” usadas pelos japoneses, eram o pilotos Kamikazes. Eram pilotos suicidas que jogavam seus aviões carregados de bombas, contra alvos inimigos. Há exatamente 70 anos, esses pilotos participavam de sua última batalha.
Nas cartas, é revelado como a guerra pode ir fundo na vida das pessoas. Nas missões sem volta, eles escreviam cartas de despedida para suas famílias e algumas delas, foram reveladas só agora.
Em Chiran, no sul do Japão, uma planície cercada por montanhas é coberta por plantações de chá. A ideia que se tem de um lugar assim, é que seja calmo, mas nem sempre foi assim. Exatamente de lá, decolavam os pilotos mais conhecidos da Segunda Guerra Mundial: os kamikazes.
Eram as últimas batalhas a serem travadas na pior guerra da história. Tropas americanas avançavam e a tática suicida poderiam detê-los: lançar os aviões diretamente nos alvos, causando assim, mais estragos durante o ataque.
Na década de 1940, Chiran abrigava um centro de treinamento, de tudo, restou apenas antigos depósitos de óleo e munição. E essa é uma das histórias contadas em um museu, muito frequentado. Onde os mais de quatro mil soldados que morreram nas missões são lembrados.
Este museu, vai além de apresentar algumas peças antigas, tenta nos fazer entender aquele período, aquelas pessoas envolvidas. Para isso, conta com um acervo muito raro, feito de papel e tinta: cartas. Os pilotos escolhidos ficavam sabendo das suas missões somente na véspera. Era quase um hábito, tomavam saquê e deixavam uma carta.
Um dos responsáveis pelo museu, Takeshi, se comove toda vez que lê a carta deixada por Fujio Wakamatsu, como tantos outros kamikazes, um jovem de 19 anos: “Querida mãe, não tenho nada a falar neste momento. Estou indo, com sorriso, para uma missão, que considero como meu último ato de devoção a você. Não chore: deposite doces no meu altar pela tarefa cumprida”.
Takeshi explica que “eles sabiam a importância de defender o país, tinham medo do que poderia acontecer no caso de uma invasão inimiga”.
Em Nagasaki, no oeste do país, um senhor de 89 anos conhece muito bem as cartas, foi ele quem reuniu todas para o museu. Tadamasa Itatsu quis honrar os colegas de farda: durante a guerra, ele foi treinado para ser um piloto kamikaze.
Em duas circunstâncias ele escapou da morte: primeiro, o avião falhou e foi necessário um pouso de emergência, na segunda vez, a missão foi cancelada devido ao mau tempo. “Carreguei durante anos um sentimento de culpa, de vergonha, por não ter morrido como os outros colegas. Para esquecer essa agonia, me dediquei ao trabalho de recuperar os textos”, diz Tadamasa Itatsu.
Itatsu leu todas as cartas e afirma que não há arrependimento em nenhuma delas. A tristeza estava gritante em cada uma delas, mas todos os pilotos eram voluntários.
Por mais que fossem mensagens curtas, como a de Toyoje Shimote, que escreveu apenas: “pela minha nação”, ou até mesmo, símbolos do sacrifício a quem ou o que esses homens se dedicavam. Masanobu Kuno, o tenente-coronel, morreu em maio de 1945, e deixou para seus dois filhos, de dois e cinco anos de idade: “Apesar de invisível, sempre estarei olhando para vocês. Escutem bem o que a mamãe diz e sejam obedientes. Quando crescerem, sigam seus desejos e se tornem japoneses dignos. Não tenham inveja dos outros que têm pai”, escreveu ele.
Em programa chamado “Memória do Mundo”, o governo do Japão quer que as cartas sejam reconhecidas pela Unesco. São documentos que registram ações que influenciaram o curso da história, seja positiva ou negativamente. “Queremos mostrar a crueldade da guerra para o mundo e o que ela é capaz de fazer, como as missões kamikaze. Que essa tragédia não se repita nunca mais”, garante Takeshi.
Fonte: G1